CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM INVESTIGAÇÕES EDUCACIONAIS PUBLICA PRODUÇÃO DE SEUS PROFESSORES

Em setembro de 2019, ao participar do V SETA, o palestrante da conferência de abertura, professor doutor Elizeu Clementino de Souza, comentou que as experiências de vida caracterizam-se como processo de formação. Vi, neste dizer, o curso de especialização em Investigações Educacionais se materializar na minha mente. Passaram diversos fragmentos de um curso de se propôs ser, tão somente, um Curso de Especialização. A pretensão era não ter pretensão. Era ser, apenas ser e, como Souza comentou, o curso de encheu, durante um ano, de experienciações.  

Alijado dos parâmetros normativos de políticas modernizantes advindas de propostas de formação cartesiana, o curso voltava-se para o ser, o ser em si, o ser para si. Quem é o professor? O que é ser professor? Quem sou como professor? O que é uma formação de professor? Estas indagações costuravam o curso entre uma disciplina e outra, que se entrecruzavam. Como em um jogo de futebol, os professores só avançavam ao tocarem a bola para os outros professores, ora convidando-os para falarem das suas experiências, ora trazendo para o diálogo textos de professores não presentes, ora provocando a produção de seus parceiros de leituras. Os alunos e alunas eram parceiros e parceiras de leituras.

Lembrei rapidamente da primeira reunião com o Diretor da Pós-Graduação, Amarildo Gonzaga, ainda rascunhando com os colegas a proposta do curso. Dessa e outras tantas se formou a ideia de um curso em Investigações Educacionais que tivesse como centralidade o professor no sentido ontológico, o professor na sua inteireza como dizia Gonzaga. Cabe aqui uma ressalva. Este curso foi gerado no interior de um grupo de estudo e pesquisa de formação de professores, vinculado ao Mestrado Profissional em Ensino Tecnológico (MPET) e tinha como escopo trabalhar os professores do MPET e alguns egressos.

Sentado em uma confortável cadeira do auditório Alberto Furtado e ouvindo o conferencista, em meio a silenciosa e compenetrada plateia de professores/as e interessados/as, abri uma obra de Souza que acabara de comprar. O leitor sabe bem o que ser isso! Uma aquisição que fazemos intempestivamente ao participar de eventos científicos e deparar de súbito com obras relevantes e de difícil acesso. E, em meio a essa emoção, mais uma vez, consegui engatar três situações: a fala do conferencista, as memórias do curso de Especialização em Investigações Educacionais e o texto em minhas mãos, o qual dizia: “Tal movimento de autoanálise permite que o sujeito construa seu próprio ponto de vista sobre si e sobre o mundo, implicando numa disposição de compreensão e interpretação de suas aprendizagens ao longo da vida.” (SOUZA; MEIRELES, 2018, p. 33). Pensei em conclusão: eis o que o Curso de Especialização em Investigações Educacionais realizou, senão vejamos.          

 Entre as muitas experiências que vivenciei percebi que não havia professor, alunos e alunas, mas, parceiros e parceiras de uma jangada em travessia. As experiências de uns se entrecruzaram com a de outros, transformando o curso em um processo formativo. Não tenho muito nítido as lembranças daquelas manhãs, mas, o suficiente para sentir o acontecer de uma “reflexividade biográfica”. A construção do memorial de formação, as frases de efeitos dos professores, a frequência sempre em alta dos parceiros e parceiras, o cuidado com o outro era fácil de sentir.   

As relações foram se humanizando de tal forma que um café regional regado com muita fruta, diversos quitutes, sucos e bebidas quentes era de praxe. Assim como o carinho transformado em cuidados com os professores e os colegas. O coordenador tinha seu suco especialmente preparado porque não continha açúcar, aos colegas que gostavam de café cremoso tinha um preparado especialmente para a ocasião que tornara o leite uma divindade, sem contar a sempre deliciosa banana pacovan frita. Ao final da conferência, saímos do auditório para um espaço externo em que acontecia uma exposição de banners onde muitos finalistas do curso estavam orgulhosos expondo seus trabalhos de conclusão. Lembrei, então, que aquele era um feito de todos e todas, professores, coordenador, diretor, concluintes. Dessas reminiscências, ficaram alguns registros construídos pelos professores especialmente para este curso. A Coleção Investigações Educacionais publicada pelo MPET é um desses registros do curso de Especialização em Investigações Educacionais. Que esta coleção sirva de inspiração para os professores que acreditam na experienciação como aprendizagem.

Prof. Dr. Nilton Paulo Ponciano – Coordenador

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